Voz de um futuro.
ALÉM DO QUE OS OLHOS PODEM VER.
Quando morremos nos separamos do mundo físico, mas o som de nossa voz... Continua vagando por aí.
Voz de um futuro.
Cheguei do trabalho estressado, cansado... Pra falar verdade, morto de cansado, jogo meu paletó no sofá, a gravata no chão, um garrafa de Red Label nova comprada de manhã, já estava seca, mas ainda deu pra encher um copo, sentei no sofá liguei a tevê “meu parque de diversões”, divorciado, o casamento não deu certo pra mim... Não da certo pra ninguém mesmo, desde então essa era minha vida... Minha sina; Na tevê passava um programa esquisito, Sobrenatural eu acho, falava sobre pessoas que ouviam vozes que viam do além, uma mulher chorava de emoção ao relatar o que viu, ou melhor, o que ouviu, um pequeno sorriso surgiu em meu rosto, -Palhaçada, foi a última coisa que falei antes de pegar no sono.
Acordei à meia noite atordoado, um sonho horrível me fez acordar assustado, em seguida uma dor de cabeça mais horrível ainda veio me visitar (como de costume) só que desta vez mais violenta quase não conseguia andar de tanta dor que sentia, fui até a farmácia e tomei todas as aspirinas que encontrei pela frente, mas a dor não passou, voltei à sala escutei uma voz que disse: - Cuidado... Um tom assustador, pra conseguir me deixar assustado tinha que ser “assustador” mesmo, eu não era religioso... Tinha coisas “mais importantes” pra me preocupar; Olhei, - Ufa! Era a tevê ligada, foi a explicação mais lógica que encontrei, desliguei a tevê e pra minha surpresa, -Está próximo... Disse novamente a voz, começei a ficar novamente assustado:
-Merda! Quem está aí? (Como se alguém fosse responder) estava com muita dor de cabeça pra pensar em coisas lógicas.
Fui para o quarto, deitei na cama, tentei de tudo pra conseguir dormir, depois de alguns minutos ou horas estava quase pegando no sono, foi quando escutei um grito desesperador, vinha de perto MUITO PERTO! Deu a impressão de que quem gritou estava bem no meu ouvido, o coração disparou a dor de cabeça duplicou, a voz agora freqüente conseguiu me atordoar, foi quando comecei andar pelos cômodos vazios, que a coisa toda começou a piorar.
Estava atrás de alguém que estivesse fazendo isso, queria achar uma solução lógica pra o que estava acontecendo, voltei à sala e a voz deu um tempo, o telefone tocou, atendi rapidamente:
–Alô (Quase sem fôlego)
A mesma voz que me atordoava:
- Escute! Tente descobrir de quem é essa voz!
- Foda-se!
Joguei o telefone com toda força no chão, logo após, tudo começou a girar, quanto mais girava o ambiente se tornava sombrio, as cores, as formas, o ar, tudo fora substituído por um tom avermelhado todo borrado, as paredes começaram a sangrar, todos os móveis desapareceram, velas apareciam em seus lugares. Caí no chão, parecia não acreditar no que estava vendo, a dor de cabeça foi substituída por uma dor fortíssima no estomago, não aguentei e ali mesmo vomitei... Todo meu sangue saiu pela boca naquele momento, fiquei azul e com muito frio, mas por mais incrível que pareça estava me sentindo mais leve e todas as dores que sentia passaram, aproveitei esse momento e corri em direção a porta da frente pra pedir ajuda, mas quando abri tive uma surpresa, tudo era trevas... não tinha nada, nem ninguém lá, a cidade fora substituída por uma imensidão preta, não tive coragem de mergulhar naquela escuridão, voltei pra casa. Decidi jogar o jogo dela... A voz:
-Vamos me diga... O que quer?
- O que quero? Já consegui.
-O... O que você está dizendo?
- Meu objetivo era fazer você acreditar em mim.
-Quem é você?
- Alguém muito próximo de você.
-Onde você está?
- Bem abaixo de você!
-Como assim?
Um fedor horrível tomou conta do ambiente, olhei pra baixo e ali estirado no chão estava um corpo, tirei os vermes que cobriam sua face, quem estava ali estirado... Eu mesmo, deformado, ensanguentado com um buraco na cabeça.
- Vou me dar mais uma chance. Disse o defunto... (Eu mesmo.)
Acordei assustado, olhei pros lados tudo voltou ao normal, mesmo assim não decidi arriscar, em uma semana me mudei para outro apartamento.
No primeiro dia no novo apartamento: cheguei cansado do trabalho, paletó pra um lado, gravata pro outro, sentei no sofá, liguei a tevê, passou uma notícia que me chamou atenção.
Repórter:
-Um homem foi encontrado morto em casa, à causa: Um tiro de espingarda calibre 12 na cabeça...
Um detalhe... A repórter estava em frente à casa que eu morava há uma semana atrás.
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